quarta-feira, 13 de abril de 2011


                          Mais vale a declamadora
                                       Carlos Lúcio Gontijo

          No dia 9 de abril deste ano (2011) fui de mudança para Santo Antônio do Monte, onde agora resido com Nina, mais as lembranças guardadas nos escaninhos da memória, a cachorra Kika e o meu trabalho literário de escriba menor, que, ao tomar a internet como instrumento de divulgação, pode ser produzido a partir de qualquer lugar. Ou seja, hoje posso me permitir a alegria de devolver aos meus passos as calçadas de minha infância em solo santo-antoniense.
          Distante fisicamente das hostes pretensamente iluminadas do chamado mundo das celebridades intelectuais, sob a certeza de que meu círculo é grande, mas minha roda é pequena (como costuma dizer meu compadre Mário Antônio), fico a observar o mar de vaidades e disputas por que navegam os lavradores (não confunda, amigo leitor, com labradores!) da arte da palavra, que deveria ser apenas instrumento de deleite e transformação dos poucos leitores de que dispõe o Brasil.
          Ainda recentemente, em protesto contra a escolha de “Leite Derramado” (editora Cia das Letras), de Chico Buarque, como livro do ano de 2010, na categoria de ficção, embora tivesse ficado em 2º lugar na qualificação romance, o Grupo Editorial Record anunciou boicote ao Jabuti, que é o mais tradicional prêmio da literatura brasileira.
          Entornado o caldo ou derramado o santo leite franciscano do festejado compositor da música popular brasileira, cuidaram os organizadores do Jabuti de logo fugir da sina de vagareza das tartarugas. Formaram uma comissão composta por 12 integrantes do mercado editorial e 20 membros da Câmara Brasileira do Livro, para repensar o regulamento do Jabuti, que é uma premiação destinada muito mais às editoras que aos autores.  A límpida realidade que joga algum facho de claridade sobre a questão é que as inscrições são pagas e não havia, portanto, qualquer interesse de o Jabuti se ver repentinamente sem o aporte financeiro da Record, que em 2010 rendeu cerca de US$10 mil, com a inscrição de 108 títulos.
          Enquanto isso ocorre no terreno dos laureados da cultura nacional, tenho nas mãos o romance “Triângulo Vermelho”, uma obra produzida pelo idealista Ádlei Duarte de Carvalho, jovem sobrevivente das águas turvas (e honestas) da literatura independente, para iniciar leitura e providenciar-lhe um prefácio.  Dessa forma, custa-me assistir estarrecido à cantora Maria Bethânia captar 1,3 milhão para montar um site com 365 vídeos de poesia, ao passo que tantos outros se veem obrigados a arcar com a sempre onerosa impressão de seu trabalho literário.       
          Como mantenho no ar, desde junho de 2005, o site Flanelinha da Palavra, posso reconhecer o explícito caso de superfaturamento no polêmico episódio do blog de poemas da cantora Maria Bethânia, ora dublê de declamadora, fato só possível diante da completa ausência de política cultural verdadeiramente democrática e criteriosa, uma vez que não pode assim ser considerada a famigerada Lei Rouanet, que comete o equívoco imperdoável de conceder a autores já consagrados (e capazes de andar com as próprias pernas) a possibilidade legal de lançar mão de recursos públicos então travestidos de benevolência ou mecenato privado, através do qual o empresário patrocina, ganha visibilidade e depois é beneficiado na hora do pagamento de impostos junto ao governo como se houvesse feito favor ou caridade.
           Dessa forma (e por isso), temos recursos sobrando para os iluminados pelos holofotes da grande mídia e que são logicamente os preferidos pelos empresários, que buscam, única e exclusivamente (em sua maioria), a exposição mais imediata e fácil de seus produtos e marcas. Bethânia sabe disso e não é a primeira vez que faz valer seu prestígio no tráfico de influência, pois há três anos, quando teve o pedido de captação (de R$1,8 milhão) para uma turnê negado pela área técnica do Ministério da Cultura, não se fez de rogada e, ignorando  o posicionamento contrário, recorreu ao auxílio do então ministro Juca Ferreira, baiano como ela, e prontamente disposto a materializar mais uma baianada cultural com a autorização para a captação de 1,5 milhão.
          Há alguns anos, esse tipo de situação me enchia de contrariedade e desesperança, mas hoje, apesar de ainda me indignar, não me proponho a digladiar com os pantagruélicos devoradores de recursos públicos, acreditando tão-somente que o simples fato de eu estar preparando o lançamento do meu 14º livro (o romance “Quando a vez é do mar”), em comemoração ao meu 60º aniversário, em abril de 2012, serve de silenciosa resposta a esse panorama cultural em que editoras se desentendem por prêmio e declamadora é mais valorizada que os poetas que se entregam ao indispensável espargir de luz da poesia como veículo de sensibilização da raça humana, que despoetizada se embebe em incontido levar vantagem em tudo, em violência e no desamor ao próximo, repercutidos até a última gota pelos jornais, rádios e emissoras de televisão, às quais os avanços da tecnologia da imagem chegaram antes de uma programação capaz de contribuir para a construção de uma sociedade regida pela sonhada convivência fraterna e sem espaço para manobras fraudulentas ou a substituição do mais competente pelo mais esperto.
          Carlos Lúcio Gontijo
         Poeta, escritor e jornalista



VER DE BOI: A RUMINADA BELEZA

Lívia Ferreira Santos*

Uma poética é um programa de construção. É a comunicação, meio velada, meio clara, de uma intenção: um projeto, que o poeta nos vai manifestando, pouco a pouco, à medida que nos dá sua poesia. Contém-se no poema a súmula de uma visão do mundo, o resultado intenso de um modo de sentir peculiar, mediante os quais o ruminador de palavras nos leva consigo pelo “longo atalho chamado poesia.” (João Guimarães Rosa, Do Diário de Paris, in Ave, Palavra, RJ, JO, 1970)

Minas Gerais vem-nos dando, através do tempo brasileiro, incansavelmente, manifestações várias desse inconfundível ruminar poético, fincado na mineiridade e, no entanto, sempre capaz de sensibilizar, além-fronteiras, a inteligência de todo o País. Aí estão: Carlos Drummond de Andrade, Emílio Moura, Henriqueta Lisboa, Murilo Mendes (e omito tantos) e, após 1965, o grupo de jovens poetas mineiros, divulgados em antologias recentes, a cobrirem o espaço literário do Brasil com o traço da “ruminada beleza” (Paschoal Motta, Ver de Boi, BH, 1974), típico poetar das Minas Gerais.

Dessa produção laboriosamente moderna, destaco, para uma análise breve, o livro VER DE BOI (Prêmio Cidade de Belo Horizonte, 1973, de Paschoal Motta (...) ... desde o inicio, toma-se consciência de que se vai ter um espetáculo estranho: um homem, um poeta, vai-nos mostrar alguma coisa, o objeto da visão através do olhar do boi. É inquietante e mentiroso. Fictício: como poderia um homem ver e mostrar alguma coisa, sem ser pelos seus próprios olhos? Eis um convite, desde o título, para nos colocarmos, como leitores,  numa situação imaginária e surpreendente. (...) // * Trecho de palestra durante o Ciclo da Lírica Moderna, na Universidade do Estado de São Paulo,  Assis, novembro, 1989. //

NE – Naquele Ciclo, entre obras de poetas de outros países, foram estudados, além da obra de Paschoal Motta, outras de Carlos Drummond de Andrade, Cassiano Ricardo, Manuel Bandeira e João Cabral de Melo Neto.



   Martha Tavares Pezzini
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9ª Festa Literária Internacional de Paraty 6ª Edição do Prêmio Off Flip de Literatura

9ª Festa Literária Internacional de Paraty
 6ª Edição do Prêmio Off Flip de Literatura


As inscrições para o prêmio Off Flip de Literatura estão abertas até 30 de abril de 2011 e deverão ser feitas pelo correio. O regulamento pode ser lido no site do evento: www.premio-offflip.net.
A premiação ocorrerá durante a 9ª Flip, entre 6 e 10 de julho


O prêmio que acontece desde 2006, é um concurso de textos que busca estimular a produção literária em língua portuguesa e é dividido em 2 categorias: poesia e conto.
Os vencedores serão comtemplados, nessa 6ª edição do concurso com prêmios em dinheiro, ingressos para as mesas da Flip e estadia em Paraty. Os 30 textos finalistas serão publicados em uma coletânea pelo Selo Off Flip.

  
         O O  O O O O O  



O Mar e Eu                                                         

     " O mar, quando quebra na praia,
       é bonito... é bonito..." 
       Dorival Caimi  




   
   Manhã  feita de  luzes  e cores, perfeito capricho do Criador, festa preparada para nosso deleite. Acordo ouvindo as ondas batendo nas pedras e o delicioso som do retorno das águas depositando na praia, conchas,  algas e espuma. O mar, majestoso  gigante, rege sua sinfonia com os mais  puros  acordes e com  seu incansável movimento, cumpre seu destino. Abro a janela.  Imagens e sons daquele  cenário mágico invadem meus sentidos. O sol subindo do horizonte, parece  suspenso por corrente invisível e  espalha profusamente todo  o seu esplendor  pela imensidão prata-verde-azul-lilás das águas.  Núvens contornadas de fogo passeiam devagar, levadas pelo vento, enquanto outras parecem  incendiadas, como se fossem explodir. As gaivotas dão o toque de graça em vôos de coreografia ensaiada. Barcos, ao longe... Nada falta  nessa aquarela.
    Pego um chapéu, minha câmera e saio para um passeio. Não quero perder nada. Deslumbrada e inebriada sinto o abraço delicioso da brisa marinha, andando  descalça, pisando a  areia molhada, sentindo o prazer da massagem nos pés a cada passo. Vou parando para catar conchinhas que sempre me encantam  com  suas  cores, formas e tamanhos,  nacaradas ou não. Cada uma é um tesouro único. Selecionadas, serão transformadas em colares e pulseiras, colares e outros adereços para minhas meninas.
     Nada a pensar,  absorta na plenitude daquele momento, apenas saboreando a vida. Se o vento soprar um pouco mais, creio que flutuarei como uma pluma, tão leve e solta me sinto, partícula intrínseca da natureza.     
     Depois da caça ao tesouro, caminho mais um pouco sentindo o sol e a carícia da brisa. Pensao que há uma cumplicidade entre o sol e o vento. Um  a nos queimar e o outro a amenizar o ardor...
    Paro  para tomar  água de coco, deliciosamente refrescante e revigorante, mais uma das  dádivas do Criador aqui reunidas.   
     - Vai um Peroá assado?
    Resistir, quem há de?
   Ando um pouco mais,  minha Rolley  registrando tudo. Momentos gravados na câmera  e nas retinas.
   Viver longe do mar é nostálgico. Por isso temos necessidade de voltar sempre, deixando  para trás  rotina, preocupações e  neuras para estar  junto à  magia  do mar.   


 Martha Tavares Pezzini 



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sábado, 9 de abril de 2011


 Enviado por Paschoal Motta


Poesia e Ação IV 


Um poema, veículo da Poesia, representa a beleza essencial de sentir a vida, na exata medida em que seu mediador constituir-se num ser receptivo às múltiplas facetas da existência. Ser poeta, assim, representa ser um indivíduo de amplas possibilidades culturais, sensibilidade desenvolvida na meditação e recolhimento, humildade humana, paciência e obstinação no seu ofício, além, principalmente, de domínio sobre a matéria bruta de sua Língua Materna. É dominando o sistema lingüístico de manifestação que um escritor se desclassifica, cria estilo próprio, dentro do sistema vigente da Literatura de sua Pátria.

Paschoal Motta

Continua...




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quarta-feira, 6 de abril de 2011

 Poema  - de Pedro Du Bois

A MÃO QUE ESCREVE

Sobre a folha branca
no modo de negar
a paixão escondida

em torpe armadilha

o branco da recusa
no pobre recluso
em mim: mesmo

acorrentado ao vazio

na folha amigável
travo o travo

oposto ao presente

risco a consciência
e me desmancho em recados

tarde para consequências

maiores na folha rasgada.

(Pedro Du Bois, A MÃO QUE ESCREVE, X, Edição do Autor)
 
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terça-feira, 5 de abril de 2011

 

Meus cães, minhas diabinhas (Nilto Maciel)




Acordei tarde, num apetite danado. Passei a noite diante da televisão, a ver mulatas na Sapucaí. Fui à cozinha, fucei a geladeira, voltei à copa. Imaginei mordidas numa pera exposta na pequena fruteira sobre a mesa. Não, melhor me conter e aguardar o bife acebolado e quente do restaurante. Para enganar a fome, rasguei o envelope encontrado na caixinha do correio. Espantei-me: uma revista de capa colorida e meu nome em grandes letras, ao lado de um Peter, de um Otto, de uma Annette. Quase não acreditei no que via. Como fora meu nome parar na parte exterior daquela publicação germânica? Sim, o magazine vinha da Alemanha: Welt der Buchstaben. Embasbacado, ouvi o grito da sirene. Quem seria? Corri ao portão, meti a cara na folha metálica e me assustei: três diabinhas a pular na calçada. Só de uma lembrei-me: Carla Pimentel, a Carlinha da semana passada. Abri o portão, com pressa de celerado. As três saltaram ao meu pescoço e quase me levaram ao chão. Não façam isso! Olhem o povo! Vestiam-se como diabretes, rabos empinados e a balouçar, rostos pintados, toquinhas de variadas cores, saiotes curtos. É carnaval, poeta, é carnaval! Vamos dançar. E se balançavam na direção da porta, arrastando-me feito boneco de Olinda. Por que vieram sem me avisar? Precisa avisar? Quem são suas amigas? Esta é Fabíola, mas pode chamar de Fabi. Abracei-a, beijei-a, de olho na terceira. E você quem é? Eu sou Gabriela, a Gabi. Convidei-as a se meterem na casa: Introibo ad altare Niltei. Carla se apimentou mais: Diabo é isso, meu?

A tremer de inanição, ofereci-lhes o cálice frio dos mortais: tem cerveja na geladeira. Bebam, enquanto vejo uma... Sem olhar para elas, balbuciei: Carla, você pode traduzir isto? Chegaram à sala, latinhas suadas. Fabi se estirou por trás de minha orelha murcha e eu senti seu coração pagão machucar meu ombro decaído: Você está nela? Arrancaram os lacres das latinhas. Vejam meu nome na capa. Conto ou poema? Não sei ainda. E me pus a revirar as folhas. As tentações deixaram de saltitar e se aquietaram no sofá. Passei por Peter Kunze, Otto Uhse, Annette Loerke e fui me impacientando. Você deve estar ao lado de Thomas Mann e Günter Grass – brincou a diabólica Carla Pimentel. (Teria sido ela a autora da façanha de me traduzir para a língua de Goethe e providenciar a publicação do conto?)

Sôfrego, li o título: “Die Sprache Des Hunde”. O que significa isto, Carlinha? Deve ser “A fala dos cães”. As outras enfiaram os olhos na amiga. Tentei ler. Não é assim, Nilto. Então leia. Será mesmo meu? Sim, seu nome está aqui, junto ao título. E há uma nota no pé da página. Agora quero beber. Corri à geladeira, instigado pela sede. Vejam se há mais brasileiros aí. Elas passavam as folhas, com sofreguidão, quase a rasgá-las. Cuidado, isto é uma relíquia, minhas filhas.

Carla Pimentel estuda alemão, viveu em Berlim durante um ano e adora o que escrevo. Eu não estudo nada, só saí do Brasil uma vez (Cuba, 2000) e adoro os seios das raparigas em flor. Nunca a imaginei vestida de anjo caído (mesmo no carnaval), a bailar feito macaca, rabinho para lá e para cá. Eu a imaginava metida nos livros, a ler Rilke, Elias Canetti e Kafka. Pois vive a me falar deles. Você precisa ler as histórias de Hoffmann. Ora, eu li, quando jovem. É verdade, poeta? Lembro muito de “O homem de areia”.

Naquela manhã de faminto, porém, perdi por completo o respeito pelo ser humano. Como pode uma menina, de tantas leituras, se transformar numa tinhosa qualquer, que visita, em dia de carnaval, um homem há muito afastado da pândega e dedicado, dia e noite, a ler e escrever? Corri ao banheiro, para me santificar ou me purificar. Aquilo deveria ser sonho. A água benta me acalmou. Aranquei a toalha do cabide, pu-la aos ombros, e saí à sala a cantarolar: Com que roupa eu vou pro samba que você me convidou. Que alegria é essa, seu Nilto? Pensei não me defrontar com ninguém na sala. Aquelas mocinhas teriam sido criadas por descuido do criador. Eu queria folhear Welt der Buchstaben, deliciar-me com “A fala dos cães” em alemão, me sentir ao lado de Goethe, Schiller e Novalis. No entanto, as meninas, as diabinhas não queriam saber de letras. Queriam foliar em minha sala. Ou transformar minha vida numa folia. Fazer de mim bonequinho que fala pela boca dos outros. E, às vezes, escreve versinhos brincalhões: “Talvez pudesse ser padeiro – pães –, / tecer mortalhas – panos – doutras lãs, / porém domar nem sei meus próprios cães”.

Fortaleza, 8 de março de 2011         






Postado por Martha Tavares Pezzini
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Mais


Mutirão da Leitura

Usuários do metrô de BH têm a oportunidade de participar do Mutirão da leitura, de hoje até sexta- feira, na Estação Central, entre as 9h e as 17,h. Serão vendidas 16 opções de obras com preços a partir de R$1,99 a R$9,99. 

Encontro de Escritores


Com o tema "Material transgressor e autobiográfico" - o Instituto Cervantes promove um debate entre escritores. Estarão presentes os espanhóis Andrés Barba (representante do romance existencialista), Marta Sanz (romance noir e de gênero e Marcos Giralt (literatura autobiográfica), além do mineiro Luís Giffoni. Quinta-feira, no Palácio das Artes.


Debate


O repórter Lucas Figueiredo acaba de lançar o livro Boa Ventura! pela Editora Record. Informações históricas, episódios dramáticos e casos curiosos  do rush brasileiro pela corrida do ouro, da ganância de Portugal à ocupação do interior do Brasil.
Lucas Figueiredo participa de um debate, hoje, ás 19h30, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte.

 




segunda-feira, 4 de abril de 2011

Moacyr Scliar e Yann Martel



Yan Martel, escritor canadense, venceu o prestigioso prêmio Man Booker Prize , em 2002, com seu livro  A vida de Pi. Além do prestígio,  US$75 mil a mais em sua conta-corrente. Sua história  rodou o mundo tendo chegado por aqui no final de 2004. (Editora Rocco – já esgotado).  O livro já causava grande alvoroço nos meios literários antes mesmo de sair sua  primeira tradução brasileira...
A  vida de Pi foi escrito em 2001 e conta a história de um adolescente indiano que naufraga em alto-mar  e em seu bote salva-vidas tem como companhia, um  tigre de Bengala.
Nosso escritor gaúcho, Moacyr Scliar (1937-2011), publicara Max e os felinos, 20 anos antes. Max é um garoto judeu que foge da Alemanha nazista e se vê náufrago em um bote tendo como companhia um Jaguar...
Yann Martel admitiu ter lido uma resenha do livro de Scliar, feita pelo escritor John Updike no New York Times Book Review.  Updike negou que tivesse resenhado a obra e o jornal, por sua vez, negou a publicação.
Martel não tinha saída. Moacyr Sclair, cavalheirescamente, encerrou o assunto, de sua parte.
A vida de Pi está em nova edição com tradução de Maria Helena Rouanet, Editora Nova Fronteira. Max e os felinos  pode ser encontrado em edição de bolso da L&PM 
Martel  incluiu  Scliar em sua nota de apresentação: 
               "A centelha de vida eu devo ao Sr. Moacyr Scliar.”


Martha Tavares Pezzini
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