quarta-feira, 20 de abril de 2011

Vargas Llosa e a Argentina - Literatura X Política

Mario Vargas Llosa, prêmio Nobel , certamente será o maior destaque da 37ª Feira Internacional do Livro de Buenos Aires que será aberta no dia 21 de abril de 2011. Sua frase : “ Aqui, há uma inequívoca vocação literária”, referindo-se a   cidade escolhida  como capital mundial do livro, neste ano.  
 Acontece que existe uma  outra vocação muito forte  na Argentina, a política  e  o escritor peruano  é centro de uma polêmica envolvendo a  suas ideias. Escalado para a abertura da Feira seu nome sofreu uma tentativa de veto por parte dos intelectuais que apóiam o governo.  O presidente da Biblioteca Nacional Jorge Luis Borges pediu que o escritor fosse barrado e substituído por um nome local por não ser “adepto à corrente de ideias que abriga a sociedade argentina”.
Mario Vargas Llosa é liberal  e um antigo crítico do peronismo  e considera  também o governo Kirchner, um “desastre” para o país. A meses das eleições, a polêmica só terminou depois da intervenção da presidente Cristina  Kirchner que pediu a Horácio Gonzalez uma retratação.
A Feira Internacional do Livro de Buenos Aires homenageará os escritores argentinos  Maria Helena Walsh e David Vinãs, mortos neste ano. Com mais de 1,5 mil estandes, o evento vai  até 9 de maio.



Martha Tavares Pezzini

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terça-feira, 19 de abril de 2011

Belo Horizonte, abril, 2011.



TIRADENTES COMPREENDIA A REALIDADE DO PAÍS
Livro revela aspectos dos ideais do inconfidente



O Brasil celebra os 219 anos do enforcamento do Alferes Tiradentes (Rio de Janeiro, RJ, 21-IV-1792), como principal envolvido no movimento político mais conhecido por Inconfidência Mineira para livrar o Brasil do domínio colonial português. Aqui, um trecho do livro Eu, Tiradentes, nestas comemorações do 21 de Abril, em homenagem ao Mártir da Independência do Brasil e Patrono Cívico da Nação Brasileira, conforme a Lei 4897, de 1965.
Joaquim José da Silva Xavier nasceu em 1746, na Fazenda do Pombal, perto do Arraial de Santa Rita do Rio Abaixo, entre a Vila de São José, atual Cidade de Tiradentes, e São João del-Rei.
     
Nesta oportunidade, um trecho de uma das consideradas mais signicativas publicações sobre o Tiradentes.

                         “

Saído aqui deste Oratório, caminho indo para o patíbulo, limpo de medo, culpa no espírito; sem pavor, sem temer, sem tremura. Antes jamais, por que agora? Vira tudo definido, definitivo, na consciência clareada, canto a canto. Haverá coroar esta cabeça meu sacrifício, em antes ela tão confusa, ansiosa, afoita, num redemunho de procedimentos, não arredando pé no indeciso, no desatino; matando fome a faminto, sede a outro, pondo certeza na dúvida dum aqui, outro ali, desabrido, desavisado. Agora, tudo clareia. Quero, preciso, sonho com isto: padecimento deste corpo no enforcamento já medra quantia de peso no preço do desígnio duma batalha, no peito de cada qual deste nosso País, mesmo com escândalo a empertigado reinol, impertinente, de prosápia, renitente nobreza. Desencadeia sangue  deste corpo aberta guerra dentro das cabeças, com tiro certeiro, acima dum estrondoso bacamarte, carregado té na boca, capaz de esclarecer viciada treva, imposta por mando, força. Daqui a horas, padeço morte na forca em causa, no efeito, de pôr empenho da subida na vida, tal qualquer filho devesse haver direito; desejar sem vexame esta terra, ela tão sem fim, verde, rica, buliçosa, cantante, gemente, cheirosa, macia.
  Agora, aqui aboletados,  distante do olho da guarda, mesmo com estes ferros, nesta conversação sem impedimento, ainda por cima eu sabedor que qualquer  companheiro condenado a pena inferior, não mais máxima, há tantos meses aguardada; livres dela todos eles, meu coração sorri num alívio, ânimo acalmado. Preciso ir, vir, enquanto falo,  senão fraquejo perna na subida dos degraus do patíbulo; não demonstrarei mínima insegurança, para escárnio, júbilo de quem se livrará desta língua. Em acima de três anos, conduzi ânimo nessa direção, não para glória pessoal, sim exemplo a companheiros, povo.
Para distantes, inóspitas paragens viajam em breve data nossos companheiros de ideal: lá conseguem reconstruir a vida despedaçada, imagino, calculo; conseguem reconstruir tudo destroçado no sentimento. Quem sabe? Regressem ao Brasil, assistam, corpo presente, clarear feliz dia para as gentes. Repito: minha morte, para eles do infame governo, violenta para Vossas Mercês, diversos partidistas, não me surge com medo, mas luzente farol para vindouro tempo, farol neste mar ainda ponteado de pedra, coberto de escuridão, brabo, agitado vento; este chão de urze, espinho, flor e festa, dor e alegria. Vai nascer aurora desejada, calor, sossego, carinho, felicidade, fartura.
Padecimento na forca: dele, dela careço referir amiúde na provocação de intimidade; haverá constituir fortaleza em frente da opressão, violência; revoltar em demasia brasileiros, pois fome, sede conhecem limite, tempo, duração. Ninguém lá fora no claro do Sol notará neste corpo sequer nervoso pisco de olho, tremura de um dedo, assustada cara, tirante esta que sempre mantenho por natureza de nascença. Durante inteiro tempo demorado no segredo da Ilha das Cobras, depois no Convento dos Frades, repito, enfiava nesta cabeça uma determinação: não oferecerei gosto a executores da pena em mim inculcada, em nome, lugar dos outros inconfidentes; a eles não darei gosto, sabor de vitória. Perceberão governadores estrangeiros desta terra: liberdade tarda, mas não falta. Aqui, posso suavemente desabafar, de puro alvedrio, este orgulho, esta certeza, esta destinação, em tal altura da madrugada, quando companheiros, aliviados da máxima pena, dormem tranqüilos, coração festejado, enquanto componho, esclareço rascunho duma história, sem freio na língua; este projeto de Vossas Mercês é bem fortuna para futuro. Ainda por cima, por pessoal turno, acabo assim com uma falta de falar, discutir, revelar pensamento, no que sempre me aprazei; passo disperso do resolvido, respeitante destino; enfim, sou escutado na inteireza duma declaração.
  Não imagino nem calculo como não projetei estudar para padre no Seminário Nossa Senhora da Boa Morte, em Mariana, feito  Domingos e Antônio, irmãos. Púlpito me não haveria minguar. Mas quê? Não reclamo sorte: sou o que existi, nunca disfarço, feito dito para aí em escrito tintim por mão de Vossas Mercês, no preciso de minhas exatas palavras, sem tirar, nem pôr; representa refrigério, nesta derradeira madrugada, pelo que em tamanha satisfação de reconhecimento aperto suas abençoadas mãos.
  Diviso clarão da Lua bem em cima, no zênite do firmamento, clara, quase semelhado dia, tanto capaz de apagar metade do brilho absurdo de tanta estrela coalhada no Caminho do Leite, dita Via Lactea. (...)

                                                

(de EU, TIRADENTES, Paschoal Motta,  3ª. ed., Editora Lê, Belo Horizonte, 1992)


Conforme informações do Autor, o original  de EU, TIRADENTES teve 3 edições, está livre de contrato e à disposição de editoras para uma 4ª edição.








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Recordando Roberto

      Mais uma homenagem ao ReiUma das suas músicas
    mais marcantes.


 
             Detalhes
            Roberto Carlos

      Não adianta nem tentar 
                   me esquecer
      durante muito tempo em sua vida, 
                   eu vou viver
      detalhes tão pequenos de nós dois
     são coisas muito grandes pra esquecer
      e a toda hora vão estar presentes
                   você vai ver

      se um outro cabeludo aparecer em sua rua

      e isso lhe trouxer saudade minha
                    a culpa é sua
      o ronco barulhento do seu carro,
      a velha calça desbotada, ou coisa assim
      imediatamente você  vai 
                    lembrar de mim

      eu sei que um outro deve estar falando
                    ao seu ouvido
      palavras de amor, como eu falei
                    mas eu duvido
      duvido que ele tenha tanto amor
      e até os erros do meu português ruim
      e  nessa hora você vai
                    lembrar de mim 

       à noite, envolvida no silêncio 
                     do seu quarto
       antes de dormir você procura 
                      o meu retrato
       mas da moldura não sou eu quem lhe sorri
       mas você vê o meu sorriso
                       mesmo assim 
        e tudo isso vai fazer  você
                       lembrar de mim

       se alguém tocar seu corpo como eu
                     não diga nada
       não vá dizer meu nome sem querer
                     a pessoa errada
       tentando ter amor nesse momento
       desesperada você tenta até o fim
       e até nesse momento você vai
                     lembrar de mim

       eu sei que esses detalhes vão sumir
                     na longa estrada 
       no tempo, que transforma todo amor,
                     em quase nada

        mas quase também é mais um detalhe

        um grande amor não vai morrer assim
        por isso, de vez em quando, você vai
                       lembrar de mim.

       Martha Tavares Pezzini




   O O  O O O O O  
                              
          
     Parabéns,   
          Roberto
    Carlos!
          O Brasil 
    te ama!

  
 O O  O O O O O  



 

Depósitos Antecipados para Internação Hospitalar

 Publicada no DIÁRIO OFICIAL em 09/01/02, A Lei de n° 3.359 de 07/01/02, que dispõe: 
 Art.1° - Fica proibida a exigência de depósito de qualquer natureza, para possibilitar internação de doentes em situação de urgência e emergência, em hospitais da rede privada. 
Art. 2° - Comprovada a exigência do depósito, o hospital será obrigado a devolver em dobro o valor depositado ao responsável pela internação.
Art. 3° - Ficam os hospitais da rede privada obrigados a dar possibilidade de acesso aos usuários e a afixarem em local visível a presente lei.
Art. 4° - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Uma lei como essa, que deveria ser divulgada, está praticamente escondida! E isso vem desde 2002. Estamos em 2011!


segunda-feira, 18 de abril de 2011

Lígia Bojunga Nunes


                      Lygia Bojunga Nunes
                      

Uma escritora brasileira entre as que mais admiro é Lygia Bojunga. Quando minha filha tinha    oito anos, começou a ler A bolsa amarela, dei uma olhada e me encantei. Daí pra frente começamos a ler juntas e nos divertir com os incríveis personagens. Logo comprei mais livros dela, inclusive O sofá estampado, que também adoramos. Lygia penetra na alma e nos sentimentos da criança, ao mesmo tempo que dá asas às fantasias infantis.  E sua linguagem  vai do coloquial ao monólogo interior  e ficamos presos em sua trama.  Recomendo a crianças e adultos!
    
   Martha  Tavares Pezzini 
    


Lygia Bojunga Nunes nasceu em Pelotas, Rs. Foi atriz até que encontrou a literatura. Seu primeiro livro Os Colegas (1972) conquistou um público que se solidificou com Angélica (1975), A casa da madrinha (1978), Corda bamba (1979), O sofá estampado (1980) e A bolsa amarela (1981). Por esses livros recebeu, em 1982, o Prêmio Hans Christian Andersen, o mais importante prêmio literário infantil, uma espécie de Prêmio Nobel da literatura infantil.  Esse prêmio foi concedido pela da International Board on Books for Young People, (filiada à Unesco).
É um dos maiores nomes da literatura infanto-juvenil brasileira e mundial, assim consagrada pela qualidade de sua obra e caracterização da problemática da criança, acuada dentro do núcleo familiar.
Sua obra já foi publicada em alemão, francês, espanhol, sueco, norueguês, islandês, holandês, dinamarquês, japonês, catalão, húngaro, búlgaro e finlandês.
Seus livros têm sido altamente recomendados pela crítica européia e estão sendo radiofonizados em vários países, sendo que um deles, Corda bamba, foi filmado na Suécia.




   Martha  Tavares Pezzini
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domingo, 17 de abril de 2011

A Montanha - Martha Vieira Tavares Pezzini


       


                            A Montanha

    Da janela do meu quarto vejo uma paisagem urbana como outra qualquer. Ao longe a Serra do Curral. Misteriosa e imponente como uma sentinela perscrutando toda a extensão do seu espaço visual: a cidade de Belo Horizonte.  Sua silhueta recortada contra o horizonte  instiga minha imaginação. O  por do sol joga uma luz que parece querer incendiar  toda a paisagem; depois da chuva, parece uma tela  que teve suas cores recuperadas e acentuadas.  A montanha sempre me fascinou. Seu contorno no horizonte, a vegetação, blocos de pedra, que posso ver daqui de baixo e  despertam em mim um vago desejo de uma escalada para conhecer a outra vertente: imagino um regatinho, flores raras e tantas surpresas lá, escondidas. Como se esse desejo de escalar a montanha expressasse uma necessidade de ir além, para o alto, em busca de pureza,  beleza e paz, enfim, em busca do infinito, de Deus.
   Certa vez aventurei-me numa descida, na Serra do Cipó, maravilhoso recanto de Minas Gerais. O caminho era desafiador, íngreme e pedregoso, onde cada passo, cada pisada tinha que ser calculada com o maior cuidado, buscando pontos de apoio nos quais se agarrar.
   Lá no fundo do cânion tesouros  me  aguardavam. Já eram vistos por toda a descida: flores desconhecidas surgindo sem mais nem menos, jogando cor e charme naquele recanto só seu;  passarinhos, com seus trinados e melodias nunca ouvidas espreitando pelos arbustos. Como se flores escondidas e passarinhos ariscos quisessem aparecer para cumprir  a missão de encantar o desconhecido que visitava o seu habitat.   A Natureza se fazia ouvir num silêncio salpicado de  sons  mágicos. Sons do silêncio.
   Seguindo uma trilha que levava a outros caminhos indefinidos e  sempre reinventados. De repente, como se ouvisse o som do mar em uma concha, novo murmúrio se insinuou no ar.  Pressenti a emoção de ver surgir uma cachoeira. E pouco mais, ela  surgiu bela e  imponente, caindo em cascatas sobre as pedras numa música cristalina, como uma orquestra em um  recital ininterrupto tendo por palco um  cenário magnificamente perfeito.
   Tudo estava completo. Um banho, mais fotos que  já era hora de pensar na subida, com a alma lavada, leve, como se houvesse visitado  o Éden.

   
Martha V Tavares Pezzini